Aos meus pés (e pernas)

Eu juro que tentei fugir. Quis evitar. Fiquei me perguntando “como chegamos a esse ponto?”. Não era pra ser assim. Sempre nos divertimos tanto juntas, pulamos corremos, brincamos. E agora… Me desculpem se eu tropeçar em uma palavra ou outra. Eu tô meio tensa, sabe? Vocês sabem. Vocês sempre sabem. Sempre ficam inquietas quando eu tô nervosa. Então vou falar de uma vez. Arrancar o band-aid, como fiz todas as vezes que ralei os seus joelhos. Pernas, me desculpem por todas as calças skinny. Todas as sessões de tortura com cera quente, todas as vezes que tapei as celulites e que usei saltos por tempos demais. Tô com saudades de colocar vocês em saias curtas sem medo, de bater os pés na água sem pudor, de correr sem esteira, sem cronometro, sem limites. Vamos juntas?

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Aos meus braços

Ei. Tudo bem? Como vocês tão? Será que chove hoje? Desculpem as meias palavras. Tô chegando assim devagar, meio olhando para baixo, um pouco sem jeito por conta de tudo que eu fiz. Tudo que eu disse. Sei que não foi só com vocês. Minhas coxas tão se atritando entre si e já nem falam comigo. O culote se recusou a entrar nas calças, a barriga se encolheu pra dentro e o estômago não para de reclamar. De dor, de enjôo, de fome. Mas tenho que começar as desculpas de algum lugar. Por vocês. Aqueles que eu sempre escondi, que sempre cortei das fotos, que sufocava dentro de mangas compridas mesmo nos dias de mais calor. A vocês, meus braços, eu peço desculpas. Desculpa por não ter percebido o quanto eu gosto de vocês. O quanto vocês me fazem feliz. O quanto me fazem fazer tudo que eu gosto. Graças a vocês, eu seguro. Eu levo. Eu visto.  Eu como. Eu pinto. Eu danço. Eu bato palma. Eu dou as mãos. Eu toco. Eu abraço. Eu contagio. Eu amo. Eu me amo. Obrigada, bracinhos.